Reunidos
em rodas de samba e choro ou descendo as ladeiras do Centro
de Caxias, os músicos do grupo Nosso Canto não
saem do ritmo. Donos de um estilo que preserva o samba tradicional,
os integrantes do conjunto já são respeitados
na região. Mas eles precisavam de um pouco mais:
queriam que o som da banda fosse reconhecido além
das fronteiras do município.
O primeiro passo dos músicos para transformar este
sonho em realidade foi lançar o CD “Nosso Canto”,
que traz 14 canções, com destaque para “Mordomia
com Teresa”. Com este samba, o conjunto faturou, há
dois anos, o Festival 20 Anos do Projeto Seis e Meia, realizado
pelo produtor cultural Albino Pinheiro, no Teatro João
Caetano, no Rio.
Quem quiser conferir o resultado deste primeiro disco não
pode perder o próximo show do Nosso Canto, que acontecerá
no dia 10 deste mês, às 20h, na quadra da escola
de samba Império Serrano, em Madureira. Nesta data,
será feita uma homenagem à cantora Clara Nunes.
No dia 14, os músicos vão se apresentar no
Renascença, em Vila Isabel. O evento, que terá
inicio às 15h, é promovido pela ala dos compositores
da escola de samba Vila Isabel.
Jorge Macarrão (voz), Beto Cavaco (violão
e voz), André Vianna (cavaquinho e voz),
João Bosco (flauta), César (cuíca e
percussão), Luizinho Bereba (pandeiro) e Gilsinho
(surdo) são os sambistas que dão corpo e alma
ao grupo. Os sete músicos que atualmente compõem
a banda estão juntos há um ano, mas o Nosso
Canto nasceu em 1990.
— Éramos amigos e nos conhecíamos aqui
de Caxias. Nas conversas de fim de semana, descobrimos nossas
afinidades e decidimos formar o grupo — conta Beto
Cavaco.
Com a ajuda de parceiros da região, os integrantes
da banda estão batalhando para divulgar o álbum,
que é uma produção Independente. Na
hora de decidir quais as músicas que entrariam no
disco, os sambistas não pensaram duas vezes ao dar
prioridade aos compositores da Baixada Fluminense.
— Não se trata de discriminação.
É que na região tem muita gente boa precisando
de apoio. Nós só queremos valorizar esses
compositores - garante João Bosco.
Fiéis ao samba tradicional, aquele de fundo de quintal,
os músicos do Nosso Canto são críticos
quando comentam a onda de pagode, surgida há algum
tempo, que tomou conta das rádios do país.
— Nós até gostamos de pagode. Mas é
tudo muito igualzinho. Achamos que este tipo de trabalho
deixa a desejar na melodia – diz Beto Cavaco.
Atualmente, os sambistas se apresentam às sextas,
a partir das 20h, no Espaço Cultural Arco da Velha,
na Lapa, Rio. Eles participam do projeto Canções
Arco da Velha, no qual revivem clássicos do samba
e do choro, proporcionando uma viagem sonora de Donga e
Paulinho da viola. Mais um esforço para manter viva
a história da música popular brasileira.
Jornal
O GLOBO